quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Tabuleiro Ouija

O tabuleiro Ouija é usado em adivinhações e no espiritualismo. Normalmente possui inscritas as letras do alfabeto, além de palavras como 'sim', 'não', 'adeus' e 'talvez'. Uma planchette (um dispositivo deslizante com 3 pernas) ou algum tipo de ponteiro é manipulado pelos que usam a tábua. Os usuários fazem uma pergunta ao tabuleiro e, um deles ou todos juntos, movem o ponteiro sobre o tabuleiro até que uma letra seja "selecionada" pelo ponteiro. As escolhas "soletram" uma resposta à questão formulada.

O fato de que uma pessoa leve uma "comunicação" a sério o bastante para fazer com que ela interfira significativamente em seu prazer de viver, poderia ser um motivo suficiente para que ela evitasse o tabuleiro Ouija como "entretenimento inofensivo", mas isto dificilmente é motivo suficiente para se concluir que as mensagens venham de outro lugar que não da nossa própria mente.
 O jogo, que parece simples e inofensivo, baseia-se num copo que se move em direcção às letras de um abecedário colocado em cima de uma mesa e forma palavras em resposta às perguntas dos jogadores.
Sofia, de 15 anos, fez uma sessão para falar com os espíritos e assim tentar saber notícias do primo falecido num desastre de moto. Juntou-se com uns amigos e ao perguntar quem estava presente, a resposta foi: “Satanás”. Ficou assustadíssima. Vera, de 17 anos, mostra-se confusa com o resultado, pois acha que falou com espíritos “bons e maus” e um deles “disse--lhe” para não se rir durante a sessão.
Daniela conta que está “obcecada” e quando tem um “furo” na escola vai jogar com alguns amigos, mas tem receio e dúvidas se lhe pode acontecer alguma coisa de mal.
Outra jovem relata uma sessão com uma amiga que tinha perdido a mãe e num dos dias um dos espíritos anunciou ser sua mãe e levou-a a revoltar-se contra o pai, tendo de recorrer a um psicólogo. Devido a uma sessão, uma adolescente passou a sofrer de pânico, faltava às aulas e um dia tomou uma caixa inteira de comprimidos, sendo assistida no hospital.
À partida, parece absurdo que um copo virado para baixo, apenas com a ajuda da energia de cada um, colocando o dedo indicador na borda, possa deslocar-se sozinho na direcção das letras e formar frases que respondem às perguntas, mas é nisso mesmo que acreditam os jovens que praticam o ‘Jogo do copo’.
O jogo “pode ter graves consequências”, alerta a Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP), com sede nas Caldas da Rainha, que tem recebido no seu sítio na Internet inúmeras mensagens sobre a experiência.
José Lucas, da ADEP, esclarece que não se trata de uma sessão espírita, mas de um “meio de comunicação com o mundo espiritual, onde é usado um copo como “guia” e um conjunto de letras e algarismos. O mal está no seu uso por pessoas impreparadas e apenas para satisfação de curiosidades”, podendo tornar-se perigoso, pois “a pessoa corre perigo de obsessão espiritual. Sendo uma prática sem objectivos nobres são os espíritos inferiores e por vezes obstinados no mal que se apresentam, pois os espíritos bons e nobres não perdem tempo com futilidades”.
José Lucas disse conhecer “variadíssimos casos de obsessão espiritual de pessoas que brincaram com o assunto sem terem preparação e demoraram muito tempo a libertar-se”. Há também relatos de jovens com problemas psiquiátricos. Em Inglaterra, o jogo inspirou um filme de terror intitulado ‘O jogo dos espíritos’ e no Brasil deu origem à publicação do livro ‘Copos que andam’. A curiosidade começou nas escolas, tornou-se ‘moda’ e muitos são os que se questionam se serão os “copos que andam” apenas uma “ingénua” brincadeira.
EXPERIÊNCIAS MAL SUCEDIDAS
Em Portugal, à semelhança do que acontece noutros países, existem centenas de relatos de experiências mal sucedidas com o ‘Jogo do copo’ e descrições de jovens com problemas psiquiátricos devido a este desafio chegaram também à Associação Cultural Espírita (ACE), com sede nas Caldas da Rainha.
Ana Oliveira, presidente da ACE, reconheceu que “muitas vezes os espíritos que se manifestam são brincalhões e provocam problemas aos jovens”. “O objectivo dos jovens é terem certeza de que há comunicabilidade com os espíritos, acham engraçado o copo mexer-se, ir direito às letras e formar frases, só que às vezes fazem perguntas sobre as famílias e ficam transtornados com as respostas. Por exemplo, recebem respostas de que um amigo vai morrer e às vezes as coisas acontecem e eles ficam com medo e em pânico”, explicou a responsável da ACE, adiantando: “No espiritismo nós nunca fazemos perguntas aos espíritos”.
“O que parecia ser um simples e inofensivo jogo já teve consequências graves, com os jovens perturbados a terem de recorrer a psiquiatras”, adiantou a presidente da Associação Cultural Espírita.
ENERGIA E POUCO ATRITO AJUDAM
A transferência de energia entre os jogadores pode justificar o movimento do copo. Não haverá uma explicação cientificamente provada para o fenómeno, mas há especialistas que sustentam que basta estudar a Física, pois o copo move-se sobretudo em superfícies lisas. Há também quem explique que o copo causa pouco atrito e isso faz com que se desloque, sugerindo a quem não acredite que o tente fazer em materiais

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